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domingo, 4 de julho de 2010

Manipulando sonhos

Um dos grandes motivos que me trouxe de volta a vontade de escrever foi perceber que – mais uma vez – me pego refletindo diariamente sobre minha condição de artista.
Sei que a indagação é pertinente a qualquer profissão e aplicável a muitas situações que nos colocamos durante a vida.
Basta levar algo a sério pra nos depararmos com a dúvida sobre o real valor daquilo em nossas vidas.
Pode ser um hobby muito querido, a relação com alguém que nos faz bem, um programa de TV que ocupa uma noite de nossa semana...
A diferença se mostra quando nosso sustento é a mesma coisa que mais nos dá prazer.
OK... Isso é uma benção! Sou um privilegiado em um mundo de profissionais que não tem a mínima vocação para a função que desempenham, ou que simplesmente escolheram algo que lhes daria dinheiro, porém não lhes dá prazer.
REALIZAÇÃO! Em um teste vocacional descobri (se é que é verdade) que uma pessoa pode se realizar através de um dos três quesitos:
- DINHEIRO
- RECONHECIMENTO
- VOCAÇÃO
Conheço muitas pessoas que escolheram suas profissões pelo dinheiro e estabilidade que elas ofereceriam no futuro.
Escolher ser um artista vai completamente contra isso. Mas há um ditado muito repetido e que tem seu fundo de verdade:
“Você não escolhe a arte. É a arte que te escolhe!”
Eu não seria feliz se não tivesse tomado este caminho.
Mas, voltando ao que me inspirou a escrever este post...
Em 2011 vou completar 10 anos de profissão. Claro que faço teatro há muito mais tempo. Desde os 13 anos pra ser mais exato. Mas foi em 2001 que abracei o teatro como o que me traria sustento e realização profissional.
Consegui? Claro! Experimentei muitas formas de fazer arte neste quase 10 anos.
Atuei, manipulei, dancei, cantei e até brinquei com fogo (literalmente! rs).
Contei muitas histórias e essa é a base do meu trabalho.
E agora você se pergunta: Então por que está tão reflexivo?
E eu respondo: Porque faz parte desta profissão sentir um incômodo constante. Faz parte da vida de artista querer saber se está desempenhando sua arte de forma digna e se está realizando-se e expressando-se através dela.
Eu confesso que não sei se estou fazendo isso.
Quando me mudei pra São Paulo sabia exatamente o que queria.
Eu estava em busca de aprimoramento e de novas oportunidades de exercer a arte de formas diferentes das que havia experimentado.
Fui movido pelo desejo de saber se era capaz de sustentar corpo e espírito longe daqueles que me davam segurança.
Hoje eu sei que sou. E foi um grande avanço pra minha auto-estima deficiente e sempre temerosa.
Me deparei com tanta coisa que me perdi por meses num emaranhado de oportunidades.
Não fui com muita sede ao pote, mas quase me afoguei por querer beber tudo.
Seriam necessárias três vidas pra experimentar tudo o que desejo.
Acho que é nisso que me pego agora.
Depois de ver tanta coisa e andar por tantos caminhos eu chego em uma encruzilhada. Qual caminho devo seguir?
Não contesto minha vocação e sei que todos os caminhos me levam pra arte. Mas a arte é um campo tão vasto que só quem sobrevive dela sabe da dificuldade que é encontrar o SEU terreno fértil. Onde eu devo plantar minhas próximas sementes? Acho que essas são as mais frutíferas de toda a minha vida e não quero desperdiçá-las.
Existe um passado que ainda me traz frutos financeiros.
Existem talentos que preciso desenvolver e que podem significar uma realização próspera.
Existem parcerias falidas das quais preciso me livrar e outras que preciso aprender a adubar.
Existe tanta coisa pra administrar e um cansaço que me acomete fazendo a culpa me mover... na marra!
Enfim... eu estou feliz!! De verdade.
Feliz porque cheguei a conclusão de que é hora de mudar.
Tanta gente passa a vida incomodada e não descobre que tudo o que tem que fazer é sair do comodismo.
Cancerianos ficam incomodados facilmente. E acomodados!
A nossa dificuldade é mover a montanha que se instala a nossa frente (e que muitas vezes é um simples morro, mas teimamos em ver como montanha).
Às vezes pensar se torna um hábito nocivo.
Pensamos tanto que não agimos.
Queremos sempre manipular nossas vidas e brincar de Deus com nosso próprio destino.
Esquecemos que há um Deus que já faz isso por nós.
Isso pra quem acredita em Deus.
Vou criar o hábito de agir um pouco mais por instinto.
Escutei de uma pessoa muito sábia que eu sou um ator que não gosta de perder o controle.
Manipulo minhas vontades.
Manipulo meus sonhos!
Talvez esteja na hora de deixar a vida me dar algo novo e que eu não esperava.
De acordo com o mestre Sanford Meisner o ator tem mesmo é que se entregar sem travas à cena. Não adianta querer comandar. Temos que agir com o que o outro nos dá. Com o que o mundo nos dá.
Vou tentar ser um ator de Meisner.
Vou tentar ser um homem que segue os princípios de Meisner.
Mas... E você? Já sabe pra onde quer ir?

2 comentários:

Rodrigo disse...

Olha não sei pra onde ir, mas fico contente te ver esta usina funcionando novamente. Tudo na hora certa, mas precisamos nos mover nesta hora né.

Abraço.

Zandali disse...

Amore, eu já tinha passado por aqui e lido seu texto, só não tinha comentado - tava tensa com a apresentação dos meus alunos, afff sempre fico assim... passo mal! mas deu tudo certo!

olha, essa coisa de arte, rs... nem sei o que dizer! ai, ai... às vezes acho que a gente gosta é de sofrer!!! não é possível viver esses eternos questionamentos sem ser um pouco masoquista!

o que eu sei é que sou diferente! muitas vezes eu olho em volta e sei que pertenço a outra esfera de vida... não sei se melhor ou pior, mas DIFERENTE... e isso às vezes dói, noutras vezes me faz perceber que sou muito mais feliz... e as vezes me sinto uma alienígena! rs... é, objeto a ser estudado!

BEIJOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO